O Governo anunciou alterações ao modelo de gestão dos parques naturais, prevendo a nomeação de diretores para assegurar uma administração mais direta e eficaz. Nos cinco maiores parques – Peneda-Gerês, Serra da Estrela, Serra de São Mamede, Costa Vicentina e Serra da Arrábida – os responsáveis serão designados nos próximos dias.
A medida foi confirmada pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, durante uma visita a Arganil, concelho que registou o maior incêndio de sempre em Portugal. “Os parques naturais vão continuar a dispor do modelo de cogestão, mas passarão a ter também um diretor que garanta uma gestão mais vertical, capaz de tomar decisões rápidas e flexíveis”, explicou a governante, acrescentando que a estratégia estava já em preparação antes dos incêndios.
Segundo a ministra, será igualmente reforçada a presença de técnicos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) nas áreas protegidas. Entre as novas medidas, destacam-se a instalação de câmaras térmicas nos parques que ainda não dispõem desse sistema, de forma a permitir a deteção precoce de focos de incêndio, e intervenções urgentes de proteção dos solos florestais, com a construção de barreiras e realização de sementeiras.
Na Serra do Açor, onde se encontra a Fraga da Pena, Maria da Graça Carvalho anunciou ainda que a futura reflorestação recorrerá a espécies mais resistentes ao fogo.
O incêndio que deflagrou a 13 de agosto em Piódão, no concelho de Arganil, e que apenas entrou em resolução ao fim de 12 dias, consumiu 64 mil hectares – a maior área ardida de sempre no país, de acordo com o relatório provisório do ICNF. As chamas afetaram também os concelhos de Pampilhosa da Serra e Oliveira do Hospital (Coimbra), Seia (Guarda), assim como Castelo Branco, Fundão e Covilhã (distrito de Castelo Branco).


