Antena Livre

Estado equaciona venda de 200 toneladas de urânio armazenadas em Nelas

O Estado está a estudar a venda de cerca de 200 toneladas de concentrado de urânio que estão armazenadas em Nelas. A decisão está a ser ponderada pela entidade pública Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), que mantém o urânio guardado em barris num armazém localizado no concelho depois do encerramento das minas de Urgeiriça, em 1999.

A notícia é adiantada esta segunda-feira pelo jornal Público. Segundo o diário, o material, que não tem sido utilizado para qualquer fim, está avaliado em 13,7 milhões de euros, segundo calculados apurados pela última vez em 27 de dezembro de 2012 pelo revisor oficial de contas da EDM.

Fonte do Ministério do Ambiente e da Transição Energética afirma ao Público que a EDM está a avaliar as condições de mercado para a alienação do concentrado de urânio, salientando que este é um produto com “especificidades, sujeito a regras e controlos formais de comercialização, e que não é objeto de cotações internacionais”.

A mesma fonte também garante que a venda estará dependente da decisão da tutela, da existência de “interesse externo” e do valor de mercado. Para já, os barris de urânio ficarão à guarda da EDM, sem que eles representem risco para a saúde pública.

Já António Minhoto, presidente da Associação dos Antigos Trabalhadores das Minas da Urgeiriça (ATMU), considera que a notícia de uma eventual alienação seria recebida “com muito bom grado” e diz que a venda seria um ponto importante “para virar a página” naquela localidade nelense.

O responsável afirma ainda que, caso a venda avance, os ex-mineiros irão exigir que o dinheiro seja reinvestido no processo de descontaminação das suas casas, onde 70 residências foram identificadas para serem recuperadas. A primeira fase dos trabalhos, abrangendo 40 casas, deveria estar concluída no final do primeiro semestre de 2019, mas, até agora, só houve intervenção em seis.

“Se chegarem a vender o urânio, vamos bater-nos para que a receita apurada seja investida aqui [nas habitações]”, garante. “Não faz sentido estarmos a lutar para descontaminar estes territórios e continuarmos com um monte de barris com urânio em armazém”, sustenta o presidente da ATMU.

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