Antena Livre

Gouveia recebe congresso e concurso nacional sobre a Bíblia Sagrada em 2020

Gouveia vai acolher o Congresso Internacional e o Concurso Nacional sobre a Bíblia Sagrada em setembro de 2020.
Gianfranco Ravasi e José Tolentino Mendonça são alguns nomes já confirmados.

“A Bíblia na Cultura Ocidental: Milénios de Civilização” é o tema do congresso, cuja organização está a cargo do professor catedrático José Eduardo Franco.

“É um congresso científico, académico, que se vai fazer pela primeira vez em Portugal” e “temos uma figura célebre já confirmada: Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura no Vaticano”, anunciou perante uma plateia de alunos do 11.º ano do agrupamento de escolas de Gouveia.

Gianfranco Ravasi vai apresentar o painel “Das raízes do livro à cultura europeia”. Noutro painel, estará o cardeal português José Tolentino Mendonça, que já confirmou presença para falar sobre “As linguagens bíblicas como perceção do Livro”.

“Estes congressos científicos normalmente atraem o público mais velho, mas também queríamos o público mais jovem”, desafiou o Professor José Eduardo Franco.

Para tal, vai decorrer um outro evento durante o mesmo período (10, 11 e 12 de setembro de 2020): o concurso nacional Bíblia MOOV, que convida os estudantes a refletir sobre a Bíblia de uma forma criativa.

Os trabalhos podem ser feitos “no telemóvel ou com outros meios mais profissionais; um documentário inspirado num motivo bíblico ou pegar num salmo bíblico, musicá-lo e fazer um videoclip”, exemplificou o diretor e professor convidado da Cátedra Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização da Universidade Aberta/ – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Na opinião de José Eduardo Franco, “não conhecer a Bíblia é uma forma de iliteracia, porque, quer se tenha fé ou não, a Bíblia é um código para ler a cultura nas mais diversas dimensões”.

Não se pode pensar que “é um livro escrito há mais de dois mil anos e que não tem nada mais a ver connosco”, defende.

Este ano, assinalam-se os 200 anos da primeira edição completa da Bíblia em língua portuguesa. É a mais antiga tradução para a português (Londres, 1819), realizada no século XVII por João Ferreira d’ Almeida.
Contudo, “esta obra permanece numa clandestinidade cultural, que tem ocultado o mérito e o prestígio reconhecidos pela maioria dos estudiosos”, lê-se no site do congresso internacional.

O Interior de Portugal vai assim estar no centro do mundo no próximo ano, no que ao estudo da Bíblia Sagrada diz respeito.

Gouveia, associada a múltiplas entidades académicas e científicas, organiza uma série de iniciativas preparatórias para a construção do “Museu Internacional do Livro Sagrado. O ADN das civilizações do Mundo” – assim se vai designar o espaço museológico.

O professor Jorge Ferreira, vereador da cultura da Câmara Municipal de Gouveia, diz que a iniciativa do congresso visa preparar essa construção. “É um percurso e um projeto a longo prazo”.

“O projeto do museu está quase concluído: estão a fazer a maquetização em 3D e agora é começarmos a bater à porta de eventuais mecenas, porque são oito milhões de euros – um projeto demasiado grande para uma Câmara como Gouveia suportar. Já fizemos um rastreio das portas a que vamos bater e não levamos apenas uma ideia, mas algo em concreto”, revela, corroborado pelo professor José Eduardo Franco: “vamos bater à porta de quem tiver sensibilidade para uma obra destas para a valorização do Interior”.

Ainda no âmbito do congresso internacional, atividade financiada por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), destaque para a realização de um atelier de dança.

Frei Herculano Alves é o coordenador científico do congresso internacional agendado para 2020 e sabe-se já que 2021 também trará novas iniciativas na senda do Museu Internacional do Livro Sagrado, em Gouveia.

“O Interior do país está sempre nas bocas dos políticos, mas são precisas ações concretas e de grande dimensão como estas, que poderão criar uma nova centralidade cultural. Poderemos criar cá um ‘Serralves de Gouveia’. Queixamo-nos que nada acontece no Interior e esta é uma oportunidade única”, destaca o investigador e docente, para quem “Gouveia está cheia de motivos de influência bíblica e há muito trabalho para fazer”.