O Governo desistiu de avançar com a construção da nova Residência de Estudantes de Seia, infraestrutura que estava projetada para o edifício da antiga cantina da fábrica FISEL. A decisão foi comunicada à Câmara Municipal pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação e confirmada no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2026.
A justificação da tutela prende-se com os calendários de execução. Segundo o Ministério, a decisão baseia-se em “pareceres negativos” relativos à impossibilidade de encurtar os prazos da empreitada. As estimativas apontavam para uma duração de obra de, pelo menos, dez meses, aos quais se somariam os trâmites de um concurso público internacional. Contas feitas, o Governo concluiu que a residência “não estaria concluída até junho de 2026”, o limite temporal inflexível para a aplicação das verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Autarca aponta “falta de vontade política”
A reação da autarquia não se fez esperar. Luciano Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Seia, teceu duras críticas à decisão, acusando o Governo de abandonar o concelho e de demonstrar “incompetência e incapacidade do Estado Central” na concretização de um investimento considerado vital para o ensino superior na região.
“A residência não é feita por incapacidade, não só deste Governo, mas dos anteriores também. Não foi por incapacidade do Município de Seia”, sublinhou o autarca social-democrata.
A Câmara Municipal rejeita a argumentação dos prazos como justificação única, recordando que a obra reunia todas as condições para avançar desde 2023. O projeto tinha financiamento garantido, quer através do PRR, quer através de fundos nacionais assegurados por Resolução do Conselho de Ministros.
Para Luciano Ribeiro, o desfecho revela uma “manifesta falta de vontade política que o Governo sempre demonstrou”. O autarca revelou ainda que a autarquia tentou, até ao fim, eliminar todos os obstáculos financeiros, tendo inclusive manifestado disponibilidade para custear os cerca de 600 mil euros adicionais que seriam necessários para relançar o concurso e viabilizar a obra.
Com esta decisão, cai por terra, para já, a requalificação de um espaço emblemático da cidade e a criação de novas camas para estudantes, um dos problemas mais prementes do ensino superior no interior do país.


