Queijarias da Serra da Estrela em “estado crítico”: produtores exigem intervenção urgente do Governo

Data: 29 Dezembro 2025

Um dos maiores ex-líbris da gastronomia nacional está em perigo. O setor do Queijo Serra da Estrela enfrenta uma crise de sustentabilidade sem precedentes, motivada pela escalada dos custos e quebra nas vendas, levando os produtores a reclamar um plano de salvamento imediato.

As queijarias da Serra da Estrela, guardiãs de uma tradição secular e pilar fundamental da economia da região, lançaram um alerta vermelho sobre a viabilidade futura do setor. Produtores e representantes associativos descrevem a situação económica atual como “crítica” e apelam diretamente ao Governo para que avance com medidas de emergência que evitem o colapso da atividade.

Segundo responsáveis locais, o cenário é particularmente grave para as unidades de pequena dimensão e de cariz artesanal, especialmente aquelas dedicadas à produção de queijo com Denominação de Origem Protegida (DOP). A “tempestade perfeita” formada pela queda abrupta nas vendas e pelo aumento galopante dos custos de produção está a estrangular as tesourarias e a ameaçar a continuidade de muitas destas empresas familiares.

Um risco para toda a cadeia de valor

O impacto desta crise não se cinge apenas às queijarias. Os produtores sublinham que o encerramento destas unidades terá um efeito dominó devastador em toda a economia rural do interior. Em causa estão não só os postos de trabalho diretos na produção, mas toda a cadeia de valor associada, desde a subsistência dos pastores — essenciais para a matéria-prima — até aos pequenos pontos de venda locais.

Face a este cenário, os queijeiros exigem da tutela respostas concretas e céleres. O setor reclama um pacote de intervenção que inclua:

  • Apoios financeiros imediatos para aliviar a pressão de tesouraria;
  • Incentivos à promoção e escoamento do produto;
  • Medidas estruturais que valorizem a qualidade ímpar do Queijo Serra da Estrela nos mercados nacional e internacional.

Este apelo dramático surge numa altura em que o setor agroalimentar enfrenta desafios transversais amplificados pela conjuntura económica. No entanto, o desaparecimento destas queijarias representaria mais do que uma perda económica; seria o apagar de uma parte integrante da identidade cultural portuguesa. A bola está agora do lado do Governo, de quem se espera uma resposta rápida para salvaguardar este património nacional.

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