Antena Livre

Rede literária baseada na obra de Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade e Vergílio Ferreira

Os municípios de Gouveia, Guarda e Fundão vão criar uma rede literária, que incidirá sobre “espaços emblemáticos na vida e na obra” dos escritores Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade e Vergílio Ferreira, foi anunciado esta quarta-feira.

Segundo o município de Gouveia, presidido por Luís Tadeu, o projeto “Ler e Partir: Geografias Literárias de Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade e Vergílio Ferreira” vai ser desenvolvido no âmbito de um protocolo que as três autarquias abrangidas vão assinar, em Gouveia.

A assinatura do protocolo tem como principal objetivo “a construção de uma rede em torno dos espaços emblemáticos na vida e na obra” dos três escritores, estando a Guarda associada a Eduardo Lourenço e a Vergílio Ferreira, a Póvoa de Atalaia – Fundão a Eugénio de Andrade, e Melo – Gouveia a Vergílio Ferreira.

Na nota enviada à agência Lusa é também referido que ao projeto cultural se associarão a Casa da Poesia Eugénio de Andrade e a futura Casa da Palavra Vergílio Ferreira, bem como as Bibliotecas Municipais Vergílio Ferreira (Gouveia), Eduardo Lourenço (Guarda) e Eugénio de Andrade (Fundão).

Considerando “a importância e o valor literário” dos três escritores, a autarquia de Gouveia assume que o projeto “reveste-se de uma natureza multipolar, trabalhando o património material e imaterial de cada município, de uma forma complementar, pluridisciplinar e integrada, reforçando o conhecimento dos escritores, que se notabilizaram pela dimensão estética e força comunicativa das suas criações literárias, nomeadamente através de uma perspetiva que se diferencia pela criação de roteiros literários específicos e por uma rede de cooperação cultural intermunicipal”.

O protocolo de constituição da rede cultural “Ler e Partir: Geografias Literárias de Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade e Vergílio Ferreira” vai ser assinado no próximo domingo pelas 15:30, na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira, em Gouveia, na sessão em que a autarquia de Gouveia também fará o anúncio do vencedor do Prémio Literário Vergílio Ferreira 2020, na categoria de romance.

O Prémio Literário Vergílio Ferreira, instituído pela Câmara Municipal de Gouveia, pretende homenagear o escritor Vergílio Ferreira, “bem como incentivar a produção literária, contribuindo desta forma para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa”.

O galardão, com um valor pecuniário de cinco mil euros, será entregue ao autor selecionado em cerimónia pública a realizar em agosto, segundo o município.

O Prémio Literário Vergílio Ferreira já distinguiu, entre outras, as obras “Que possível ensaio sobre a verdade em Vergílio Ferreira”, da autoria de Maria do Rosário Cristóvão (2018), “Dor de Ser Quase, Dor Sem Fim”, de Iolanda Martins Antunes (2016), “O Cómico em Vergílio Ferreira”, de Jorge Costa Lopes (2013), “Diário dos Imperfeitos”, de João Morgado (2012), e “Estação Ardente”, de Júlio Conrado (2006).

O autor de “Manhã Submersa” nasceu na aldeia de Melo, no concelho de Gouveia, na Serra da Estrela, distrito da Guarda, a 28 de janeiro de 1916, e morreu a 1 de março de 1996.